segunda-feira, 9 de julho de 2012

GE – parte 5: rompimento e atrapalhações.

Relatos de uma GE – parte 5 rompimento e atrapalhações.

Aquela altura eu estava tentando curtir mais tudo o que estava em nossas mãos. Não sentia confiança mas os indícios eram bons, somos saudáveis, temos acompanhamento medico, nos amamos e temos bons motivos para acreditar que seremos ótimos pais.
Temos o costume de tomarmos banhos juntos, o resultado chega todo mês na conta de luz. O Adri beijou minha barriga antes de entrarmos no chuveiro, ficamos conversando sobre bobeiras. Como ele diz: estávamos faceiros.
Em poucos instantes senti o mundo começar a desmontar. Senti uma enorme dor abdominal, um desconforto agudo, como se fosse uma forte contração intestinal. Falei para ele – não gostei disso, e sai rápido do chuveiro, sentando no vaso. Vou tentar relatar como de fato me senti, o que senti e o que pensei.
Quando sentei achei que teria uma forte diarréia. Foi isso que ocorreu, porem sem controle algum. No mesmo momento senti uma tontura muito forte e náuseas. Comecei a respirar fundo para tentar entender o que estava ocorrendo. Vomitei no mesmo instante em que tinha uma diarréia incontrolável. Vinha a minha cabeça uma historia de uma amiga a qual, em um acidente, estava com hemorragia e sabia que entrar em pânico aumentaria o problema tendo em vista o aumento da circulação sanguinea com a respiração descontrolada do pânico, ela controlou a respiração a ponto de ser salva. Acho que eu não entrei em choque e não desmaiei porque fiz o mesmo, controlei a respiração e procurei manter a calma. O Adriano estava perto, isso também me facilitou a não entrar em pânico.
Agora eu sei que foi naquele exato momento que minha trompa direita tinha se rompido. Eu estava com hemorragia interna ocasionada pela ruptura.
A irritação gastrintestinal aguda ocorreu pela irritação dos órgãos e terminais nervosos ocasionado pelo contato do sangue da trompa rompida.
Na hora olhei para ele e pedi ajuda. Não tendo mais o que vomitar, e cessada a diarréia, entrei no chuveiro enxagüei-me e sai com ajuda dele. No momento estava com tontura, e sentia que minha região abdominal estava cheia de gases. A sensação era bem essa, muito acumulo de gás, na altura das costelas ate a parte baixa da barriga.
Deitei no sofá com ele, com intuito de melhorar, deitei de costas com os joelhos dobrados ao alto. Simplesmente apaguei. Acho que dormi de dor. Ou sei lá.
Meia hora passou e acordei. Estava entre os braços de meu marido. Ele esta me observando, perguntou se havia melhorado e ainda brincou falando que não poderia comer mais ovo. Parecia que o neném não gostava.
As dores continuaram e comecei a ficar muito preocupara, não tinha como ser apenas gases. Duas horas da manha de quarta para quinta, fomos ao UPA da cidade.
O que irei contar sobre essa madrugada é tão verídico quanto tudo o que estou, com lamentos, a relatar. Acreditem, só não tive um treco porque não era para ter. O UPA nos decepcionou.
Coloquei uma roupa mais quente e fomos procurar ajuda. Encontramos uma unidade de pronto atendimento próximo a nossa casa, e depositamos la nosso pedido de ajuda.
Passei por uma triagem, após ser praticamente carregada para dentro da unidade por meu marido. Horrível a dor, andar era muito difícil. Relatei precisamente o que tinha ocorrido, o que havia comido, a fase da gestação, e as dores agudas, estava com batimento 93 bcm, pressão 11 por 6.
Fomos encaminhados para uma ala de observação, um leito. Deitei na cama e aguardei poucos instantes ate a medica plantonista atender. o nome dela Michele, tive a impressão que não era mais velha que eu. Fazendo uma observação antes dos fatos: Voltarei, num futuro próximo a conversar com ela. Acredito que deva apresentar a ela o que se tratava meu quadro, sinto obrigação de ser um cidadã fazendo criticas construtivas (quando isso ocorrer, irei relatar).
Ela atendeu prontamente, relatei novamente o ocorrido, estava com muito dor e aparentemente calma, não sou o tipo de pessoa que entra em pânico, grita e chora nesses momentos de caos. Eu busco me concentrar na situação e pensar em soluções, no que buscar etc etc etc. Um pouco de frieza sim, mas com o c* na mão. Contei também a ela que havia feito o US e que inclusive não havia visualizado o embrião.
Ela começou a pressionar minha barriga toda, eu morrendo de dor e falando para ela não pressionar. O simples contado de pele já me dava espasmos, ela continuou com as pressões e prescreveu buscopan intravenoso. Falou que era inicio de gestação e não poderia medicar sem cuidado, saiu da sala e disse que voltaria após um tempo.
A enfermeira do local amarrou uma luva descartável em torno meu braço e colocou a agulha para o soro (essa da luva para mim é novo), soltou a luva e pronto, da lhe buscopan. Momentos depois, estávamos eu, Adri e bebe sozinhos no leito. A dor não diminuiu em nada (e tinha como diminuir?  era uma hemorragia interna! Fica minha pergunta).
Pedi para chamar a medica novamente. Dessa vez ela demorou um pouco mais, o medicamento já tinha terminado e a dor estava ali. Ela perguntou da dor e eu falei que estava da mesma forma. Ate contei que havia comido omelete, ela ate falou que poderia ter ligação com isso. Não quero ser manipuladora então vou tentar transcrever parte do dialogo, que foi mais ou menos assim:

- a dor não diminuiu? (medica)
- não, continua igual, parece gases.
- veja, eu não posso te dar medicamento para gases. Não sou obstetra e não vou prescrever medicação no primeiro trimestre de gravidez.
- eu entendo, so que a dor esta horrível, e se não tem mais nada que possa ser feito aqui, então vou procurar outra alternativa.
- então se vc quer sair, quer dizer que a dor melhorou,
- muito pelo contrario, se eu quero sair e pq estou preocupada e continuo com a mesma dor e também com dor nos ombros.
- mas fique ate cedo, amanha posso pedir exame de sangue e urina, também da pra fazer raio x
- mas não tem ultrassom?
- não, não temos. Sabe, acho que essa sua dor e preocupação de você não ter visto o embrião na sexta...
- tudo bem. Vou procurar ir para pg, e entrar em contato com minha medica.
- mas fique ate amanhecer, se vc tivesse, vamos pensar na pior situação, com aborto, você teria sangramento, mas vc não tem não e mesmo?
- não tenho sangramento, mas tenho dor, realmente nos vamos. Prefiro aguardar em casa o amanhecer.
- vocês quem sabem.

Tenso ne? Entendo que as vezes as unidades não dispõe de tudo que e necessário, porem fica a minha pergunta para quem puder responder: a conduta e desfecho do atendimento foi correto? Particularmente acho que não, mas sou leiga, posso estar errada, ou não.
O fato e que assinamos um termo de responsabilidade, colocamos que estávamos saindo porque a queixa inicial continuava, e que iríamos procurar outro atendimento.
Voltei para casa. Entrei desolada e quieta. Agora estava realmente preocupada, não eram gases. Não mesmo.
Mas porque não fui ate outro local? Simplesmente porque não tinha para onde correr. Há um hospital na cidade em que moro, porem o tal UPA teria o necessário, em teoria. Foi frustrante, e acabei nem querendo ir ao hospital. Talvez tenha errado aqui. Só pra contextualizar, a minha medica e também o hospital do meu plano, são da cidade vizinha, Pg. Para onde fomos posteriormente.
Antes de irmos a Pg, tínhamos o restante da madrugada pela frente. Hoje vejo que tínhamos q ter pego estrada aquela hora mesmo. Ainda bem que o pior não aconteceu.
Na madrugada em casa, deitei de barriga para cima com as pernas dobradas e joelhos ao alto, tinha a sensação que a dor era menos intensa nessa posição. Meu marido ficou de mãos dadas comigo, luz do corredor acesa, e cochilou, ele estava muito cansado. Eu não consegui pregar o olho. Lembrei das leituras sobre gravidez ectópica, inclusive sobre como a dor no ombro poderia ser um sintoma do rompimento. Entranha relação, mas tem explicação, a hemorragia causa irritações, e pode entrar em contato com nervos, os quais tem ligação com o ombro (algo assim). Fiz uma autoavaliacao e não tive mais duvidas, meu neném estava no lugar errado e eu estava com hemorragia interna, dores abdominais e no ombro.
Amanheceu, seis e pouco da manha, o Adri acordou perguntando como eu estava. Já levantou e saiu tentando ligar para a medica. Ele voltou ao quarto e eu falei para ele tudo que estava sentindo, falei para ele abrir o computador e pesquisar por gravidez ectópica sintoma.
Ele viu, e a ficha caiu.

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