segunda-feira, 9 de julho de 2012

GE – parte 4: pesquisando sobre GE

Relatos de uma GE – parte 4: pesquisando sobre GE

O termo era assustador e a realidade avassaladora, sentia muitas coisas que poderiam ser sintomas de uma gravidez ectópica, ou seja, fora do útero. No google tem muita coisa.
Entre sintomas, a tal borra de café, pequenas cólicas em um dos lados, abaixo do umbigo, alem de sintomas como seios doloridos, sono e enjôos. Olha so, esses sintomas ai também entram em gravidez dita normal, talvez isso dificulte o diagnostico precoce da GE. Sexto sentido alertando e eu pesquisando lendo e tentando me convencer que era pira e neura de grávida.
A todo instante compartilhava sintomas com meu marido, também falava a ele sobre o que tinha lido, que hora indicava normalidade e hora indicava algo errado. Em meu caso tive sintomas leves. Havia sim um desconforto no lado direito, porem sentia algumas pontadinhas no esquerdo. Tinha pequena mancha, mas parecia que estava sumindo: um caminho com dois sentidos, um para uma realidade cruel, outra para uma realidade mais provável, uma gravidez normal. E difícil acreditar no pior, ainda mais quanto se lê que a probabilidade de uma gravidez ectópica e de uma em cada cem gestações, apenas um por cento. Não podia estar acontecendo comigo. Não tive problemas com clamidea, não tive infecções nas trompas, e também não fumo, não consegui inserir meu histórico medico nos motivos para um gravidez ectópica. Porem continuei firme nas pesquisas, e optei para adiantar o ultrassom, mesmo não tendo qualquer tipo de sangramento.
Estávamos preocupados, mas uma preocupação velada. Saímos com amigos, jantamos, jogamos cartas com outros... mas o coração pequenininho.
Depois de dois dias tomando o medicamento, marquei o ultra-som, coloquei na cabeça que era importante. A essa altura eu estaria com cinco semanas de gestação e se fosse assim, o saco embrionário deveria estar visível no útero. Nesse ponto achei muita coisa. Alguns lugares falavam que com cinco semanas já visualizaria o S.E com o embrião dentro e ate mesmo ouviria o coração. Em outros lugares, falava que era possível não ter visualização do embrião, mas poderia ter o SE. E ainda em outros, que poderia não ver nada. Tal fato estaria ligado a uma ovulação tardia. Vendo assim: tudo era possível e aceitável. Insisti mesmo assim e fomos fazer o US.
Eu estava preocupada com as pequenas dores no lado direito porem procurava tentar curtir a gravidez. Tinha depositado anseios no ultra que faria.
Tomei litros de água e fomos para o exame. Era sexta feira dia 29 de junho. Entramos na sala, os procedimentos foram explicados e o exame começou, foi relativamente rápida a primeira parte, ela visualizou a bexiga, verificou os contornos e deu atenção especial ao ovário esquerdo, do qual segundo ela, teria originado o óvulo, pois havia nele um cisto de corpo lúteo. Ela fez as medições e pediu para que eu fosse ao banheiro e esvaziasse a bexiga. A segunda etapa do exame teria inicio, seria intravaginal. Ela verificou endométrio e o útero, falou que não havia ali um saco gestacional, porem afirmou que isso não significava que eu não estava grávida. Falou que normalmente esse exame era feito após a sétima semana, contou ainda que e comum não ter a apresentação do saco gestacional tao precocemente e ainda complementou que em sua gravidez, o embrião apareceu somente na sétima semana, sua filha já e criança e saudável. Ou seja: fique tranqüila, daqui duas semanas repete o exame e estará tudo bem.
Saímos do exame diferentes, sei lá por que. ela nos convenceu, sei la porque deixei de ouvir meu sexto sentido e sei la por que resolvi desencucar. Ela foi convincente, tinham fatos ao favor do discurso, não tinha mais sangramentos ou sinais e ainda, a ovulação tinha sido no ovário esquerdo, e minhas dores eram no direito, portanto: o neném não poderia estar na trompa direita! Certo? NÃO, não estava nada certo.
Ligamos para a medica com o laudo em mãos e lemos o resultado, ela fez um discurso semelhante ao da medica do exame, e disse para nos mantermos atentos a qualquer mudança. Enfatizou para repetirmos o exame com sete semanas.
Na mesma sexta feira meus pais foram em casa, contamos do exame e falamos que nada foi visualizado, falamos o que a medica do exame nos contou e também complementamos que não havia nenhum sangramento no útero ou coagulo, o que era um bom sinal. Não falamos, em nenhum momento, para ninguém sobre minha invocação. Não queríamos ser pessimistas. Tentamos curtir a gravidez.
Sábado fomos a um casamento, o Adri foi super companheiro, inclusive não bebeu (fato que muitas pessoas estranharam e ate mesmo contestaram, eu, particularmente achei sublime. Não obriguei ele a nada, ele simplesmente estava gestando como eu.) Domingo a um noivado surpresa.
O final de semana foi bom com bons momentos. Não falamos em exames, medos e receios, só falamos que iríamos escutar o coração do nosso bebe no próximo ultrassom.
A semana teve inicio e tivemos bons momentos. Sentimento materno aumentando e a certeza que ouviríamos o coração do neném em pouco mais de uma semana aumentava. Era um sonho tudo aquilo. Continuei recebendo os infomes semanais do desenvolvimento do neném os quais lotaram minhas caixas de emails. Estava com pouco mais de cinco semanas de gestação. Já havia algumas roupinhas do bebe em meu guarda roupas.
Tive sonhos estranhos no inicio da semana, acordava um pouco aborrecida mas logo passava. Continuei com a medicação e não tinha mais nenhum tipo de corrimento. Tinha pontadas no lado direito abaixo do umbigo, mas de alguma forma, segurei-me na idéia que o neném não poderia esta ali, visto que o óvulo era proveniente do ovário esquerdo.
Terça feira 03 de jul. estava novamente de mimimi, como descrevi anteriormente. Quanto fui dormir, falei para meu marido, sem pensar, que não me sentia conectada com o neném. Adri não disse nada, mas na seqüência eu falei que estava pirando, coisa de grávida e que logo ouviríamos o coraçãozinho a 140 bcm. Dormimos.
Quarta passei o dia todo deitada, indisposta e amoada. Minha mãe ligava freqüentemente perguntando se eu estava bem. Sei la por que, mas ela sentiu que eu estava com alguma coisa, na verdade ela sempre sente.
 O dia passou, meu marido chegou e resolvemos fazer omelete. Havia lido que era bom comer um ovo por dia durante a gestação e que esses deveriam ser bem passados. Fizemos a omelete, comemos, demos um tempo no sofá e fomos tomar banho. Pior banho de minha vida: o inicio do fim.

0 comentários:

Postar um comentário