segunda-feira, 9 de julho de 2012

GE – parte 3: primeiro sinal de algo errado

Relatos de uma GE – parte 3: primeiro sinal de algo errado.

Daqui para frente tudo fica muito confuso e a sensação de luto tem inicio.
Sabíamos a data de concepção, a ultima menstruação e tínhamos a possível data de nascimento: ultima semana de fevereiro de 2013. Fiz cadastro em todo tipo de site, e principalmente nos que enviariam semanalmente o estagio em que o bebe estaria. Li o que pude sobre o inicio da gestação. Tudo ainda muito recente, mas causando uma movimentação enorme. Dentre de mim, o bebe deveria estar movimentando ao encontro do meu útero e procurando uma cama macia para firmar-se.
Eu estava me sentindo bem, mas acordei um pouco manhosa e de mimimi, (costumo falar para o Adri que estou de mimimi tentando caracterizar um desconforto manhoso que sinto as vezes quando há algo errado).  Passei o dia com sono e com muito mimimi. O Adri chegou do trabalho no final do dia, fizemos uma sopa quentinha, comemos e nos aninhamos um pouco no sofá.
Depois de um tempo fomos tomar banho, e o primeiro pesadelo veio, eu estava com uma pequena mancha em minha calcinha. Entrei em pânico, a mancha era bem pequena porem escura, parecida com finalzinho de menstruação. Percebi que ao fazer xixi e secar-me não havia mais nada, porem meu coração parecia que ia sair pela boca: o que estava acontecendo conosco.
Tomamos banho. Não havia sinal de sangramento. Deitamos.
Deitei e fiquei estática. Olhei para meu marido, e cai no choro. Falava descontroladamente que não queria perder nosso neném. Chorei chorei chorei, e uma nova mancha, marrom apareceu. O Adriano tentou me acalmar, relembrou que havíamos lido recentemente, que pequenos escapes ocorrem com freqüência, a net esta ai, basta pesquisar e ler o que convem... Frisou ainda que não se tratava de sangue vivo, era apenas um sinal marrom, uma borra de café. Combinamos que entraríamos em contato com a medica no dia seguinte.
Meu marido sempre deu um jeito de aliviar tensões, no momento pegou uma revista com nomes e pôs a ler, ao meu lado deitado na cama. Escutei atentamente, e fui ficando calma. Minutos depois cai no sono.
Na manha seguinte acordei assustada e fui verificar se havia algum novo sinal ruim. Novamente uma pequena borra de café, porem pouco intensa. Entramos em contato com a medica e expusemos a situação, ela nos fez algumas perguntas e falou que poderia ser realmente um escape, um instabilidade na fixação do embrião e receitou um medicamento idêntico a progesterona. Li a bula, verifiquei a finalidade, fazia sentido, então tomei a primeira cápsula, que se estenderia ate a décima segunda semana de gestação. A medica orientou para ficarmos atentos e para adiantar o ultrassom caso o sinal não parasse em 48 horas.
Entrei em contato com uma amiga do coração e contei sobre o fato. Ela afirmou que isso não ocorrera com ela, mas que se a medica havia dito que era um fato que ocorre com freqüência, então poderíamos ficar mais aliviados.
Poderíamos sim, mesmo porque as manchas diminuíram, mesmo porque na net, tinham inúmeros relatos que o fato era normal. Eu penso assim, normal não, mas talvez freqüente. Ter sangramento seja como for na cor que for no volume que for, corrimento e afins, não pode ser simplesmente normal.
Invoquei. Passei o dia pesquisando no oráculo google, os sintomas e as possíveis causas. No final das 24 horas, não tinha mancha marrom e sim uma pequena borra de café. Parecia aguado, como pó de café mesmo no coador. Muito pouco mas havia algo ali, e eu não estava gostando. Não senti que estava próximo a um aborto, na verdade durante a gestação não fiquei com medo de um aborto espontâneo ou ma formação. Eu estava com medo do lugar que o neném estava. Isso mesmo o lugar. Foi então que escutei meu medo e fui pesquisar sobre a fixação do embrião. Cheguei em um fórum onde vi o termo borra de café acompanhado do termo gravidez ectopica. Senti um peso enorme nos ombros, e a partir dali pesquisei muito sobre isso.

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